O que a Igreja diz sobre: Tatuagens e Piercings?

Atualmente tatuagens e piercings são culturalmente aceitos pela sociedade. É uma expressão artística e de embelezamento. Mas nem sempre foi assim. O seu uso era restrito a alguns grupos marginais. Já foi sinal de rebeldia e de protesto. Pessoas com tatuagens eram vítimas de preconceito e exclusão. Mas o cenário mudou. E em virtude desta mudança de pensamento, alguns cristãos sentem-se tentados a marcar o corpo com tatuagens e piercings. Mas é lícito? O que a Igreja diz sobre o uso de tatuagens e piercings?

Tatuagens e piercings são usados pelo ser humano desde a antiguidade. Registros arqueológicos situam os primeiros sinais entre 4000 a 2000 a.C. no Egito e Polinésia. Estes símbolos serviam como uma marca de algum grande feito ou virtude (Para os esquimós do Alasca, o piercing do lábio e na língua significava o momento da transição para o mundo adulto e significava que a criança tinha se tornado caçador), destaque no grupo (O piercing do nariz era reservado às castas mais altas na Índia), efeitos de um ritual religioso ou simplesmente como ferramenta de inclusão num clã ou grupo social.

É necessário esclarecer que a Igreja não proíbe o uso de tatuagens e piercings. Muito menos exclui aqueles que os usam! Entretanto, a santa Igreja de Cristo nos leva a uma profunda reflexão sobre marcar permanentemente o nosso corpo.

A primeira questão a qual devemos refletir é que “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém”. (1 Cor 6, 12). Antes de fazer uma tatuagem ou pôr um piercing é interessante fazer 3 perguntas básicas: Posso? Devo? Quero? Se respondermos ao menos um não a qualquer uma das perguntas ou caso fiquemos em dúvida ao respondê-las é porque talvez não seja lícita tal atitude. Para a nossa vida espiritual vale também uma regra importantíssima para quem dirige quaisquer meios de transporte: Em caso de dúvida, não ultrapasse!

A segunda questão importante a refletir é que por acaso “(…) não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? (1 Cor 6, 19).  Imaginemos um livro que porventura peguemos emprestado numa biblioteca. Temos o direito de rabiscá-lo, rasurá-lo, fazer buracos ou enchê-lo de figuras como: corações, caveiras ou dragões? Não. Pois ele não é nosso. A mesma idéia vale para nosso corpo. Ele não nos pertence. Mas sim a Deus que nos criou e fez-nos Templo e morada do Espírito Santo. Portanto, cabe a nós cuidar muito bem deste objeto que nos foi “emprestado” por Deus.

Uma terceira reflexão é a da saúde. Ao fazer tatuagens e pôr piercings estamos abrindo possíveis espaços para doenças. Infecções (bacterianas, virais e fúngicas), hepatites e até mesmo o HIV podem ser contraídos durante o processo. E dependendo da região do corpo em que são feitos (língua, genitais, etc.) o risco é aumentado em algumas vezes. Além de alergias causadas pelos materiais, como os metais dos piercings e as tintas utilizadas nas tatuagens. Apesar de todo o cuidado, por serem métodos invasivos, há sempre o grande risco de contaminação.

Após esta breve reflexão, podemos afirmar que o verdadeiro cristão não necessita marcar ou furar seu corpo para se destacar dos demais. Ao sermos batizados, todos nós, cristãos, recebemos uma marca única e indelével, ou seja, que não pode ser retirada jamais. Esta marca por si só já nos torna ou deveria nos tornar “diferentes”, pois nos faz filhos de Deus. Existem outras atitudes mais cristãs do que se marcar para provar amor, carinho, respeito e devoção por Deus ou por alguém.

Peçamos ao Espírito Santo o dom do discernimento para nos ajudar a escolher sempre o melhor para cada um de nós.

Fabio Aragão

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