NEM CARNE E NEM PEIXE

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Irmãos, a paz de Jesus!

Nesta Quarta-feira de Cinzas gostaria de compartilhar com todos vocês um belíssimo texto do Arcebispo de Maringá (PR), Dom Anuar Battisti, que fala sobre a prática do jejum e da abstinência. Este texto nos leva a uma reflexão sobre a autenticidade do gesto e ao afastamento de práticas meramente legalistas, quase farisaicas, em nossa vida religiosa.

Segue a transcrição do texto.

Aproveitem!

“A origem da palavra carnaval, mais aceita é a expressão latina “Carne levare”, ou seja, afastar a carne, do latim “Levare”, “tirar, sustar, afastar”. A manifestação de sobrevivência ao inverno através de comilanças era um último momento de consumo de carne e festejos profanos antes do período de abstinência e conversão da Quaresma. “A origem da palavra carnaval para alguns, vem da expressão latina “carne vale”(adeus carne) anunciando a entrada na abstinência quaresmal.

Em Roma havia uma festa, a Saturnália, na qual um carro no formato de navio abria o caminho em meio à multidão, que usava máscaras e promovia as mais diversas brincadeiras. A origem da palavra carnaval seria “carrum navalis”(carro naval) interpretação contestada. ( “Curiosidades católicas”, prof, Evaristo Eduardo de Miranda, Ed. Vozes, pg. 74 e 75).

A regra da abstinência está em recordar que não somos só estômago. Por isso, hoje não tem sentido só não comer carne, e substituir por um gostoso bacalhau ou um belo peixe assado. Onde está a abstinência e o valor da penitência, que seria de dominar o nosso apetite diante das comidas que mais gostamos? A penitência vale enquanto sou capaz de dominar os meus instintos diante das coisas gostosas e bonitas da vida. A Igreja atualmente pede abstinência de carne apenas dois dias durante o ano, na quarta feira de cinzas e na sexta feira santa.

O jejum e a abstinência, não é só uma prática quaresmal, inclusive hoje se tornou uma recomendação médica muito comum, para ter melhor qualidade de vida. Também é bom lembrar que não é o que entra no estômago, que mancha o homem e sim o que sai da boca. “Não entendeis que nada do que vem de fora e entra em uma pessoa pode torná-la impura, porque não entra em seu coração…Ele disse: O que sai do homem, isso é que o torna impuro.

Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultério, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo”(Mc 7,14-23).

O  próprio Jesus nos deu o exemplo, jejuou durante quarenta dias e foi tentado (cf.Lc 4,1-13). O jejum, a penitência, a abstinência, que agrada ao Senhor está na prática da justiça, na economia solidária, na defesa dos direitos de todos, na busca do bem comum, na fraternidade de irmãos e filhos do único Deus, que se querem bem e se respeitem na diversidade de raças, credos e condição social. Essa é a proposta da Campanha da Fraternidade.

Assim nos recorda o profeta Isaias: “Buscam-me cada dia e desejam conhecer meus propósitos, como gente que pratica a justiça e não abandonou a lei de Deus….Porque não te regozijastes, quando jejuávamos, e o ignorastes, quando nos humilhávamos? É porque no dia do vosso jejum tratais de negócios e oprimis os vossos empregados. É porque, ao mesmo tempo que jejuais, fazei litígios e brigas e agressões impiedosas.

Não façais jejum com este espírito, se quereis que o vosso pedido seja ouvido no céu. Acaso é este jejum que aprecio….Acaso o jejum que aprecio não é outro: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim romper todo tipo de sujeição? Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? ….Então, brilharás tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa”(Is 58,1-9).

A Palavra de Deus, nos alerta para um novo estilo de vida que vai além de práticas esporádicas, que de forma externa as praticamos, mas que o coração continua sempre o mesmo. Pode comer o que você quiser a hora que quiser, porque o que vai te salvar no fim da vida, será o amor concreto aos mais necessitados.

DOM ANUAR BATTISTI

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Por que não comemos carne vermelha na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa?

Esta é uma tradição que surgiu na Idade Antiga e se consolidou na Idade Média, época em que pessoas humildes raramente provavam carne. Na época, o povo vivia em terras alheias e a carne vermelha era consumida só em banquetes, nas cortes e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado. Dessa forma, a Igreja orientava os fiéis a comerem carne à vontade antes da quaresma – o que deu origem aos banquetes chamados “carnevale” e ao nosso carnaval – e depois se absterem de carne, durante os 40 dias que antecediam a Páscoa. O peixe não chegou a entrar na lista da abstinência porque sua presença era irrelevante nos banquetes medievais.

Com o passar dos séculos, a carne deixou de estar presente somente nos banquetes e perdeu seu caráter simbólico de pecado.

Por isso, atualmente, o Código de Direito Canônico, prevê no Cân. 1251 que Guarde-se a abstinência de carne ou de outro alimento segundo as determinações da Conferência episcopal, todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

No apêndice 10 do Código de Direito Canônico se lê a recomendação sobre a abstinência: “A abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre. A sua concretização na disciplina tradicional da Igreja era a abstenção de carne. Será muito aconselhável manter esta forma de abstinência, particularmente nas sextas-feiras da Quaresma. Mas poderá ser substituída pela privação de outros alimentos e bebidas, sobretudo mais requintados e dispendiosos ou da especial preferência de cada um”.

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A paz de Jesus.

Quarta-feira de Cinzas

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A Quarta-feira de Cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental. Ela acontece sempre 44 (quarenta e quatro) dias antes da Páscoa. Esse primeiro dia de preparação pascal inicia-se com o rito de imposição das cinzas sobre a cabeça dos fieis nas igrejas, como uma marca indicativa de um tempo de penitência e conversão. Esse simbolismo relembra a antiga tradição do Oriente Médio de jogar cinzas sobre a cabeça, como sinal de arrependimento perante Deus. 

Neste momento, somos convidados a reconhecer com humildade nosso estado de mortalidade e a revisar nossa vida perante os valores perenes do Reino de Deus.

“És pó e ao pó voltarás” (Gn 3, 19). Da terra viemos e à terra voltaremos. 

Palavra de ordem: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. (Mc 1, 15)

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A paz de Jesus!

O RETORNO

Bem pessoal, após um longo período sabático, o blog PALAVRA DO LEIGO está de volta às suas atividades.

O foco continua o mesmo: formar cristãos! Mas, adaptado ao novos tempos.

Traremos textos mais curtos, diretos e objetivos, sem muito blá, blá, blá. Direto ao ponto! Tudo pautado na Palavra de Deus e nas fontes doutrinárias da Igreja.

E para marcar esta nova etapa, traremos uma série sobre os Sacramentos.

Não percam.

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A paz de Cristo a todos!

É 1.000!

Amigos, para honra e glória de Deus, o blog PALAVRA DO LEIGO, após 3 meses no ar, chegou às 1.000 visualizações!

Agradeço a Deus por ser instrumento de evangelização e transmissão de conhecimento aos irmãos.

Agradeço, também, a cada um que acessou ou acessa frequentemente este espaço.

Continuem acompanhando, pois virão mais novidades por aí.

Que o amor de Deus e o de Maria inunde os corações de cada um de nós!

Paz e Bem!

QUAL A ORIGEM DAS FESTAS JUNINAS?

O mês de junho chegou! E com ele, as festas juninas. Festas de alegria e comidas gostosas. Mas, você sabe qual a origem das festas juninas?
As festas juninas ou joaninas são uma celebração religiosa européia tradicional do mês de junho. A denominação de festas joaninas teve origem nos países europeus católicos, desde o século IV. Quando chegou ao Brasil, no século XVI, o nome foi progressivamente modificado para junina. Elas representam uma das mais expressivas manifestações culturais brasileiras, principalmente no Nordeste. Nelas são festejados três grandes santos católicos: São João (24 de junho), São Pedro (29 de junho) e Santo Antônio (13 de junho). Inicialmente eram chamadas de festas joaninas, dado o seu vínculo com a festa de São João, o único santo católico festejado no dia do seu nascimento e não de sua morte.
Independente se celebradas nos meses de julho, agosto ou setembro, essas festas devem continuar a ser chamadas de festas juninas. Pois, como vimos, as festas referem-se ao santo e não ao mês de celebração.

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Paz e Bem!

VOCÊ SABE O QUE É UM DOGMA? PARTE 1

Certamente, você já ouviu ou leu a palavra dogma em alguma homília, pregação ou estudo. Mas você sabe o que significa?
Por dogma entende-se a proclamação autêntica, autoritativa e infalível da Palavra de Deus, por meio dos órgãos de ensinamento da Igreja. Em sentido estrito, o dogma implica numa “definição” solene, mas em sentido largo diz todo ensinamento, mesmo o do Magistério universal e ordinário, quando propõe à fé católica algo revelado por Deus.
Ou seja, um dogma é uma verdade absoluta, definitiva, imutável, infalível, inquestionável e absolutamente segura sobre a qual não pode pairar nenhuma dúvida. Uma vez proclamado solenemente, nenhum dogma pode ser revogado ou negado, nem mesmo pelo Papa ou por decisão conciliar. Por isso, os dogmas constituem a base inalterável de toda a Doutrina católica e qualquer católico é obrigado a aderir, aceitar e acreditar nos dogmas de uma maneira irrevogável.
Há de se dizer que quando a Igreja proclama um dogma, não está proclamando nada novo ou que não esteja contido na Revelação Divina. Apenas, traz uma atualização ou uma adequação de determinada doutrina àquele tempo que abranja novos aspectos, que seja mais rica, ou mesmo tenha apenas mais eficácia pastoral, desde que não acarrete mudança de sentido.
A Igreja proclama a existência de muitos dogmas, sendo 43 o número dos principais. Eles estão subdivididos em 8 categorias diferentes:

1. Dogmas sobre Deus
2. Dogmas sobre Jesus Cristo
3. Dogmas sobre a criação do mundo
4. Dogmas sobre o ser humano
5. Dogmas marianos
6. Dogmas sobre o Papa e a Igreja
7. Dogmas sobre os sacramentos
8. Dogmas sobre as últimas coisas

A partir dos próximos artigos, falaremos individualmente sobre cada um dos dogmas.

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Paz e Bem!