Gestos e posições corporais na missa: você sabe o porquê?

Por vezes na vida, temos a tendência de repetir gestos e atitudes sem nos questionar do por que os fazemos. Agimos de forma quase irracional ou mecânica. Esse problema atinge todas as esferas da vida cotidiana, inclusive na Igreja.
Que atire a primeira pedra quem nunca repetiu um gesto na missa apenas por que viu o outro fazer. E, por conta desses atos mecânicos, vemos algumas situações engraçadas nas celebrações.
Por isso, é necessário conhecer e entender a razão pela qual fazemos cada gesto e ação em nossas celebrações litúrgicas. Isso nos ajuda a evitar constrangimentos e também a celebrar melhor o mistério. E é isso que faremos aqui hoje.
A celebração da missa é o centro de toda a vida cristã tanto para a Igreja universal como local, e também para cada um dos fieis. Pois nela se encontra tanto o ápice da ação pela qual Deus santifica o mundo em Cristo, como o do culto que os homens oferecem ao Pai, adorando-o pelo Cristo, Filho de Deus. (Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia)
Com efeito, a celebração da Eucaristia é uma ação de toda a Igreja, onde cada um deve fazer tudo e só o que lhe compete, segundo o lugar que ocupa no Povo de Deus. (Instrução Geral do Missal Romano, Proêmio, 5)
A missa é uma celebração viva, dinâmica, ativa e que estimula a utilização dos sentidos para buscar o Sagrado através da razão. Por isso, os gestos e posições corporais nos remetem ao momento litúrgico e nos auxiliam a reverenciar o Belo Amor de Deus.
As posições e gestos corporais mais comuns nas missas são: o sentar, o ficar de pé, ficar de joelhos, a genuflexão, a inclinação, as mãos juntas e o silêncio. Já a prostração é utilizada em celebrações específicas.
Veremos agora cada um deles e o que significam.
1. SENTADO: É uma posição cômoda que favorece a catequese, boa para ouvir as Leituras, a homilia e meditar. É a atitude de quem fica à vontade e ouve com satisfação, sem pressa de sair.
2. DE PÉ: É uma posição de quem ouve com atenção e respeito, tendo muita consideração pela pessoa que fala. Indica prontidão e disposição do “orante”. A Bíblia diz: “Quando vos puserdes em pé para orar, (…)” (Mc 11,25). Falando dos bem-aventurados, João vê uma multidão, de vestes brancas, “de pé, diante do Cordeiro”, que é Jesus (Ap 7,9).
3. DE JOELHOS: Posição comum diante do Santíssimo Sacramento e durante a consagração do pão e do vinho. Significa adoração a Deus. São Paulo diz: “Ao nome de Jesus, se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra” (Fl 2,10). Rezar de joelhos é mais comum nas orações individuais. “Pedro, tendo mandado sair todos, pôs-se de joelhos para orar” (At 9,40).
4. GENUFLEXÃO: É um gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Fazemos quando entramos na igreja e dela saímos se ali existe o sacrário. Também fazemos genuflexão diante do crucifixo na Sexta-Feira Santa, em sinal de adoração. (Não adoração à Cruz, mas a Jesus que nela foi pregado).
5. INCLINAÇÃO: Inclinar-se diante de alguém é sinal de grande respeito. É também adoração, diante do Santíssimo Sacramento. Os fiéis podem inclinar a cabeça para receber a bênção solene. Há dois tipos de inclinação: de cabeça e de corpo. Faz-se inclinação de cabeça quando se nomeiam juntas as três Pessoas Divinas, ao nome de Jesus, da Virgem Maria e do Santo em cuja honra se diz a missa.
6. MÃOS LEVANTADAS: É atitude dos “orantes”. Significa súplica e entrega a Deus. É o gesto aconselhado por Paulo a Timóteo: “Quero, pois, que os homens orem em qualquer lugar, levantando ao céu as mãos puras, sem ira e sem contendas” (1 Tm, 2,8) Comum na oração do Pai-Nosso.
7. MÃOS JUNTAS: Significa recolhimento interior, busca de Deus, fé, súplica, confiança e entrega da vida. É atitude de profunda piedade.
8. PROSTRAÇÃO: Gesto muito antigo, bem a gosto dos orientais. Estes se prostravam com o rosto na terra para orar. Assim fez Jesus no Horto das Oliveiras. Hoje essa atitude é própria de quem se consagra a Deus, como na ordenação sacerdotal. Significa morrer para o mundo e nascer para Deus com uma vida nova e uma nova missão.
9. SILÊNCIO: O silêncio tem seu valor na oração. Ajuda o aprofundamento nos mistérios da fé. “O Senhor fala no silêncio do coração”. É oportuno fazer silêncio depois das Leituras, da homilia e da Comunhão, para interiorizar o que o Senhor disse. Meditar é também uma forma de participar. Uma Missa que não tivesse nenhum momento de silêncio seria como chuva forte e rápida que não penetra na terra.

Uma vez conhecidos os gestos e posições corporais e o que significam, devemos pô-los em prática. Não de forma mecânica, mas de forma viva, eficaz e orante.
No próximo post veremos as partes da missa e onde cada gesto se encaixa.

A paz de Cristo a todos.

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